Sobre nada. Mas tem tudo a ver.

quarta-feira, maio 03, 2006

Um novo "Sol" se aproxima

Sol. Eis o nome escolhido para o novo semanário que sairá para as bancas no dia 16 de Setembro. O projecto, encabeçado por José António Saraiva, o "Sr. Arquitecto" para os amigos, promete ser uma pedrada no charco, considerando mesmo que o novo jornal iniciará um novo ciclo na imprensa portuguesa.
De facto, é um risco fazer um jornal totalmente a cores, do mesmo modo que é um risco lançar o jornal ao sábado, com a concorrência directa do Expresso. Para não falar no investimento monstruoso que o jornal e que as instalações vão exigir (localizadas na zona da Baixa, com 1 cyber-café para criar interação entre os jornalistas e os leitores).
Mas o que me faz mais "espécie" é mesmo o nome do jornal. Sol?! Será alguma alusão remota ao britânico The Sun? Penso que seria um mau princípio. A ideia que o jornal representa o Sol que vai iluminar a imprensa nacional a sair do ambiente de pessimismo até é aceitável. O primeiro número será com certeza um sucesso de vendas, face à curiosidade que a novel publicação vai suscitar (eu próprio posso garantir que vou comprá-lo).
Só falta saber se o sol dos primeiros dias não se transformará numa nuvem negra há medida que o tempo avançar e o investimento feito não tiver um retorno mínimo. Veremos...

terça-feira, maio 02, 2006

O cinema português que temos

Durante este fim-de-semana prolongado não pude deixar de constatar na falta de qualidade que o cinema português infelizmente continua a ter. Para chegar a esta conclusão tomei como exemplos 2 filmes, separados no tempo por várias décadas mas com o mesmo denominador comum: pobreza de espírito.
Comecemos pelo longa-metragem mais antiga - o Costa do Castelo. Se o período em que foi realizado pode desculpabilizar alguns aspectos - o elogio da humildade, do remediado, do "pobre mas honrado" - não deixa de fazer-me impressão, graças às inúmeras vezes que este filme já passou na Tv, o facto do filme parecer sempre igual ao anterior. Pouco muda; o António Silva ou é alfaiate ou vive do expediente e dá aulas de música e toca guitarra portuguesa. Sempre o ambiente austero mas "feliz".
Se o filmes antigos tinham que ir ao encontro da ideologia do regime, os filmes actuais não sofrem desse mal. Talvez seja por isso que muitos deles, face à possibilidade de tudo poder fazer, acabam por ficar limitados a uma ideia vazia de sentido, sem qualquer desenvolvimento digno desse nome.
O exemplo maior será, sem qualquer dúvida, o "Crime do Padre Amaro". Reconheço que o me levou a ver o 1º episódio na SIC (sim porque entendi que não valia a pena dar 5€ para ver este filme no cinema) foi tão-somente a bela Soraia Chaves. E diga-se de passagem que o argumento do filme podia ser reduzido a 2 palavras: Soraia Chaves.
De facto, o filme é muito fraco, com personagens que ninguém percebe (João Lagarto ou José Wallenstein como padres é algo complicado de conceber) e com passagens no filme que supostamente deveriam ser alegorias mas que mais não passam de passagens mal feitas.
Se "Crime do Padre Amaro" é o filme português mais visto de sempre tal deve-se unica e exclusivamente o desejo bem português de "ver o que é bom". Sei que não estou a dar novidade a ninguém. Mas é triste que o filme com maior número de espectadores seja tão pobre, com um argumento sem qualquer profundidade, sem um desempenho digno de relace.
Será mal causado pela "subsidiodependência"? Será devido a incapacidade ou falta de vontade dos realizadores e actores portugueses? Não acredito nisso. Parece-me mais o preconceito, o elitismo a funcionar, havendo a opção por fazer um filme de autor, onde só este e pouco mais compreendem a trama, ou fazer um filme totalmente comercial, voltado para as audiências através do óbvio, do fácil, do rápido.

quinta-feira, abril 20, 2006

Cada português tem o espírito CSI dentro de si

Os portugueses são um povo bem característico, capazes do melhor mas também do pior. Este desequilíbrio deve-se também à um dos desportos favoritos nacionais: opinar por tudo e por nada.
Para os portugueses nada tem segredo porque se aconteceu eles sabem porque ocorreu. Basicamente é a lógica "epá eu já cá ando há muito tempo, sei o que a casa gasta...".
Seja lá o tema que for, há lugar para uma discussão, mais ou menos acessa, com opiniões bastante vincadas. O último exemplo desta situação é a corrente de comentários feitos devido à morte do actor Francisco Adam, que vão desde " o gajo devia ter carregado bem na bebida", passando pelo " não, não, o gajo dava-lhe bué é na droga", chegando ao "o gajo devia ter mania que era acelera e lixou-se".
A questão é só uma: quem opina sobre as possíveis causas da morte esteve ou conhece o local onde se deu o acidente? É perito em acidentes de automóveis? Viu todas as série do CSI e portanto "sei quase tanto como o Grissom, ou lá como se chama o gajo"?
Se as coisas aconteceram com o desfecho trágico que se sabe, do que serve estar a mandar bitaites de como o jovem conduzia, do que fazia ou deixava de fazer?

Olhó gelado de coirato!!

O título da notícia da Lusa não deixa qualquer tipo de dúvida: "Portimão: Gelados com sabor a sardinha e courato para provar a partir de Maio".
Para quem pensasse que os segredos dos gelados já tinham sido todos desvendados, desengane-se. Os portugueses mais uma vez revelam a sua capacidade de inovação, presenteando-nos agora com gelados com sabores, no mínimo, bizarros. A geladaria "Coromoto", assim se designa a empresa responsável pelas criações, fabrica gelados de 60 sabores diferentes, entre os quais os seguintes:
- caril
- arroz com coco
- queijo com presunto
- atum
- cogumelos
- alho
- cebola

Estes sabores são bem capazes de ser indigestos mas a geladaria garante que os gelados não contêm qualquer tipo de químico, sendo fabricados de modo artesanal. Porque garantem "Tudo o que é comida e bebida pode ser transformado em gelado". Será?!

Triste País

Triste do país onde isto é notícia...

segunda-feira, abril 10, 2006

Isto há com cada coisa ...

Sempre tive uma ideia positiva do Metro de Lisboa. A fim de contas, com o trânsito que há em Lisboa, sempre é o meio de transporte que nos permite meter noutra ponta da cidade sem ter de apanhar com muita confusão.
O Metro até parece querer modernizar-se, com o alargamento da actual rede, com a construção de novas estações e remodelações de outras. Já para não falar da mais recente novidade: é possível falar ao telemóvel na linha azul e, mais recentemente, na linha verde.
A mais recente novidade tecnológica do Metro parece ter sido pensada para os passageiros poderem avisar que vão chegar atrasados ao trabalho, pois a avaliar pelas quase diárias avarias, é mesmo preciso estar contactável para inventar uma desculpa nova todos os dias.

quarta-feira, abril 05, 2006

Prémio 'És tão bronco que ninguém te ligou nenhuma ó labrego!'

quinta-feira, março 30, 2006

Farda Armani para o Exército, já!

Não posso deixar passar em claro uma reportagem que li na edição de 25 de Março da 24 Horas Revista. A peça revela, ou pelo menos esforça-se, por dar a conhecer um pouco melhor os envolvidos nas mais recentes OPA: Miguel Horta e Costa (PT), Belmiro de Azevedo (Sonae), João Pereira Coutinho (SGC) Ricardo Salgado (BES), Patrick Monteiro de Barros, Miguel Pais do Amaral (Media Capital), Henrique Granadeiro (PT), Paulo Teixeira Pinto (BCP) e Fernando Ulrich (BPI).
De todos estes magnatas, adorei as confidências feitas a respeito de Horta e Costa. Em especial, sobre a sua ida à tropa. Como a situação é deveras hilariante, passo a citar: "Quando entrou para a tropa, em Mafra, entregaram-lhe uma farda miserável. Ele deitou-a no caixote do lixo e foi ao Picadilly, onde sempre se vestiu, mandar fazer uma farda de tropa elegante".
Pois meus amigos, acho que só se pode concluir uma coisa. Esqueçam lá a história dos submarinos, dos helicópteros novos ou da substituição das G3. O que a malta da tropa precisa é de começar a vestir trapinhos mais chiques, desenhadas pelos melhores estilistas, a ser um glenteman, seja no Kosovo ou no Afeganistão. Um repto à atenção do ministro da Defesa.

O fenómeno da "caça às bruxas"

O filme "Good Night and Good Luck" de George Clooney trouxe de novo para a luz do dia uma das páginas mais negras da história norte-americana. A longa-metragem tem como pano de fundo a perseguição feita pelo senador Joseph McCarthy a todos aqueles que representassem a ameaça comunistas em solo americano, tendo ficado conhecido pela "caça às bruxas" e por "mccarthismo".
Para quem pense que esta situação está completamente datada, sou obrigado a lamentar pois de facto continua a existir ainda nos dias de hoje uma tendência para procurar a solução para os problemas através da acusação, muitas vezes sem uma fundamentação de base sustentável. Acusar alguém exige responsabilidade. Acusar sem qualquer prova, de forma gratuita, é um risco que pode exigir um preço demasiado alto.
Imanente a esta situação está a quebra da relação de confiança. Se a nossa palavra não é considerada como válida, se não nos é dada hipótese de defesa, irremediavelmente o respeito e a confiança que se tinha por terceiros fica definitivamente afectada.

segunda-feira, março 27, 2006

Marco Paulo muda de ice-tea

O mundo da publicidade ainda está em estado de choque. Em causa está o novo anúncio da Lipton no qual Marco Paulo é o protagonista (sim, esse mesmo, que arrasta legiões de fãs onde quer que vá).
Os autores do anúncio justificam a escolha do popular cantor com o facto deste ter feito uma mudança para melhor (do visual talvez), sendo esta a mensagem que se pretende passar também com a opção pelo Lipton Ice-Tea em vez de outro chá fresco.
Nem duvido que a escolha de Marco Paulo vá permitir,pelo menos, chamar a atenção dos espectadores. Mas tenho cá para mim que este não será dos melhores anúncios já feitos para esta bebida. Já agora, não será coincidência que anteriormente a Lipton tenha escolhido José Cid para fazer o anúncio à mesma bebida. Será um apelo ao revivalismo da "música ligeira" dos anos 80? Ou o recurso a um humor que tem como base alguns dos cromos nacionais?